Há 25 anos atrás...

Lembro como se fosse ontem.

Eu tinha 12 anos, já estava de férias da escola, e havia sonhado com os Beatles na madrugada. Eu estava no começo da minha descoberta das músicas dos Beatles. Havia mais ou menos um ano em que eu me considerava uma "beatlemaníaca".

Eu tomava o café da manhã, despreocupada, quando minha falecida avó Alice surgiu na porta e disse, com todas as letras:

-Mataram o  "Jão Leno"!

Eu não acreditei, mas logo liguei a TV e constatei que aquilo era a mais pura realidade. John Lennon havia sido assassinado por, diziam, um fã enlouquecido. No "Bom dia São Paulo", estavam tocando "Dr. Robert". Liguei o rádio,  e ninguém menos que Gil Gomes narrava o triste episódio que acontecera na madrugada nova-iorquina.

Lembro que a dor que senti foi imensa. Afinal, naquela época, um dos meus objetivos de vida era poder assistir uma volta dos Beatles. Isso não era mais possível.

Chorei muito. Lembro que assisti Elis Regina chorando muito no Jornal Nacional, lembro da reação esquisita de Paul McCartney, lembro da comoção generalizada e da overdose de "Imagine", "Woman" e "Happy Xmas" nas tevês e rádios.

John virou um mártir sem certamente ter querido. Ele virou um santo para alguns, um cínico para outros.

Pra mim, ele era apenas um artista. Um GRANDE artista, com todas suas contradições e defeitos inerentes a um ser humano. Talvez, por isso mesmo, sua arte tenha sobrevivido à sua canonização.

E graças aos céus que temos os discos pra ouvir.




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BRASIL , Sudeste , SAO PAULO , Mulher , de 36 a 45 anos , Portuguese , English , Zilch interesses

 
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