Hoje é dia de Live 8!

Há quanto tempo eu não via um show com propósitos tão nobres?

Pelo que me lembro, desde 1985, há longínquos 20 anos.

Vou ficar em frente à TV o dia todo, pra ver Paul McCartney, U2, Coldplay e muitos outros cantando para comover os líderes do G8 para perdoar a dívida dos países mais miseráveis do mundo.

Às vezes, um resquício de idealismo consegue sobreviver ao cinismo reinante.

Ah! E não deixem de assinar a petição  do Live8 no site www.live8live.com.

 

Habeas-corpus

Sei que estou misturando alhos com bugalhos, mas a Suzane von Richtofen, aquela garota rica que matou os pais aqui em São Paulo em 2002, conseguiu seu habeas-corpus e foi libertada "provisoriamente". Ela está "livre", e pelo jeito, quite com a justiça - pelo menos a dos homens, sei lá.

Suzane matou os pais, mas, surpreendentemente, não houve clamores pedindo histericamente a pena de morte da moça – ao contrário  do bafafá que rolou quando o Champinha, aquele  garoto que matou o casal de namorados em Embu, foi preso, mais ou menos na mesma  época. O cara foi comparado ao Demônio, e não faltaram discursos fascistas sobre como "a bandidagem impera solta neste país", "tem mais é que morrer mesmo, e com requintes de crueldade" etc etc etc.

Não estou dizendo que o cara lá não deveria ser preso. A questão é: por quê ele deveria ser condenado à morte, e a Suzane, não? Eu sou visceralmente contra a pena de morte, pois eu acho que criminosos que cometeram barbaridades têm que ficar vivinhos da silva, pensando pra sempre nas besteiras que fizeram.

A merda é que neste país vigora a lei dos dois pesos e duas medidas. Suzane é tão assassina quanto o Champinha, e tem tratamento diferenciado, sim, por poder pagar advogados, por ser rica. Não deveria. Deveria ficar presa, como o Champinha. Simples assim.

Fico um pouco mais revoltada porque a Suzane matou os pais e agora pode tentar levar uma vida normal. Eu, cujo currículo de assassinatos se resume a algumas baratas mortas a chineladas desesperadas, estou passando um perrengue danado com dinheiro, fruto de uma gestão financeira sofrível combinada com altas de juros.  No entanto, tenho sido tratada como uma pessoa à margem da lei, recebendo sem parar telefonemas e cartinhas me lembrando das obrigações vencidas, coisa que nunca tinha acontecido antes na minha vida de invertebrada cumpridora de deveres.

Será que mereço perdão?  Ou posso tentar um habeas-corpus junto a meus credores?

REMINSCÊNCIAS MARISTELIANAS: VOCÊ JÁ CHAMOU O MANÉ?

Vocês sabem, todo mundo um dia já pôs os bofes pra fora, seja por ter comido um salgadinho de procedência duvidosa ou por ter bebido mais do que uma matilha, ou alcatéia, sei lá, de gambás (nenhuma referência aos torcedores daquele time...).

Eu não fui exceção à regra, e certa vez também expeli substâncias asquerosas do meu aparelho digestivo. Mas a podridão não tinha saído completamente de meu roliço corpo, como prova o diálogo a seguir:

Mãe: o que houve, menina?
Eu: ah, mãe, vomitei.
Mãe: também, come que nem uma louca!
Eu: ah, mãe, eu também posso chamar o Mané de vez em quando?
Mãe (incrédula): Como?
Eu: chamei o Mané, oras!
Mãe: minha querida filha, quando vomitamos nós chamamos ou o Juca ou o Hugo!
Eu: ??????

Pois então. Alguns chamam o Hugo ou o Juca. Os manés chamam o Mané.

Sentimentalóide

É, eu acho que estou ficando velha e sentimentalóide.

A Band está exibindo aos domingos, às 21h30, um reality show patrocinado pela Nike chamado Joga10. É uma competição que visa encontrar um garoto de 14 ou 15 anos para que ele vista a camisa 10 - a posição mais mítica do futebol mundial - num time de categorias de base.

Os garotos que estão no programa superaram uma gigantesca peneira, de mais de 5000 candidatos, e estão sendo avaliados toda semana por Zagallo, Dunga e Bebeto. A cada semana, uma eliminação. Agora restam oito meninos na disputa.

O programa tem aquele roteiro meio manjado de reality show esportivo: ênfase nos sonhos dos moleques, que pelo jeito enxergam no futebol sua única possibilidade de ascensão social, provas duras, palpites do júri etc.

Até aí, tudo bem. O problema é que eu fico muito comovida com as lágrimas dos meninos que são eliminados. Fico pensando em como é duro vc ter 14 ou 15 anos, viver um sonho, mas que por suposta "incompetência" sua, vc não consegue levá-lo pra frente. Acho que a gente sempre se identifica com esse lado "loser" da vida. E eu fico com mais pena ainda, pq são garotos pobres, que já devem ter sua dose de problemas existenciais, que já devem estar sentindo uma cobrança para terem sucesso na vida e assim dar uma vida mais confortável para suas famílias.

Os eliminados invariavelmente caem no choro, e eu os acompanho.

E ainda eles me tocam a belíssima "The Scientist", do Coldplay, nas eliminações. Assim não há coraçãozinho que aguente. 




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