O José Dirceu saiu do governo

Parece que foi o melhor gesto que ele fez durante seu mandato como Chefe da Casa Civil.

Bem, sei lá o que vai rolar daqui pra frente, só sei que a história do José Dirceu me fascina. Digna de um filme de espionagem. O cara viveu com outra identidade durante anos, fez operações plásticas, e ainda conseguiu ser a eminência parda do Lula durante muito tempo.

José Dirceu esteve à frente dos movimentos estudantis de 1968, e acho que ele deve ter feito sua parte com relação à resistência ao regime militar, vivendo na clandestinidade,correndo muitos riscos, ao contrário de certos prefeitos que logo subiram a serra no Chile. De qualquer forma, tudo indica que a mosca azul do poder também o mordeu, e tinha um Roberto Jefferson no meio do caminho.

Agora, tem uma coisa. Eu, que tenho um gosto meio esquisito, acho que o José Dirceu dá um caldo. Mas ele não chega a figurar na minha lista, viu?

Brain damage


Da revista Computerworld, 08/06/2005:

PCs farão download do cérebro

A partir de 2050 haverá supercomputadores com tecnologia capaz de fazer o download completo do seu cérebro. É o que afirma o diretor de futurologia da operadora de telecomunicações British Telecom, Ian Pearson. Segundo o executivo, a "brincadeira" deverá se popularizar apenas entre 2075 e 2080, quando será transformada em uma prática acessível pela maioria da sociedade.

Ô, meu Deus, provavelmente eu estarei no andar de cima antes disso se tornar realidade. Pôxa, eu adoraria fazer o download do (pouco) conteúdo do meu cérebro, especialmente do setor de boas lembranças, pra ficar com elas literalmente gravadas.

Pergunta pertinente: será que também é possível fazer o download das mentiras? E os segredos? Vixe, lá se vão os últimos resquícios de privacidade. O cérebro de cada um será um livro aberto.

Sei lá, acho que se isso realmente for verdade, muito dos mistérios que dão um tempero especial pros relacionamentos irão por água (ou download?) abaixo. Quer conquistar aquele gato? Basta fazer um download das preferências culinárias ou sexuais dele, e se antecipar a ele. Ou seja, o prazer de descobrir uma pessoa aos poucos será um  romantismo desnecessário. Um click bastará para você conhecer quem você ama e talvez se desiludir em tempo recorde.

Em compensação, você poderá hackear o arquivo do cérebro de um milionário, como o Bill Gates, e roubar todas as senhas bancárias dele, sem correr riscos de erros de digitação. A não ser que ele tenha mal de Alzheimer.

Pra falar a verdade, acho que a aplicação mais legal será fazer o download dos sonhos e transferi-los para o vídeo. Aqueles sonhos apimentados com o Krist Novoselic tomarão forma diante de você e isto não pode ser ruim.

Até você acordar do delírio.

Se um dia eu pudesse ver meu passado inteiro...

O título deste post é um verso da talvez única canção que Kiko Zambianchi compôs para a posteridade, Primeiros Erros, devidamente massacrada pelo Capital Inicial há poucos anos atrás:

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meu passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende

Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se minha mente virasse sol
Mas só chove e chove
Chove e chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove e chove
Chove e chove

Eu sempre me identifiquei bastante com a letra desta música, que mostra uma certa melancolia com os erros cometidos no passado, ao mesmo tempo em que tenta desesperadamente mostrar independência e uma atitude "não estou nem aí" com o que aconteceu. Uma contradição bastante comum na minha vida, aliás.

Às vezes, nos meus delírios mais loucos, me vejo voltando ao passado, tal qual a Peggy Sue do filme do Francis Ford Coppola, que tem a oportunidade de voltar ao seus tempos de colégio, mas com a cabeça já feita de uma mulher de 40.

Eu acho curioso que tenhamos nostalgia do passado, se de maneira geral, cometemos muitos erros dos quais até hoje nos arrependemos. Poderíamos ser mais jovens, mas éramos mais tolos. Será que eu tenho saudade da época em que eu ainda podia errar? Ou na verdade eu apenas não aproveitei totalmente algumas oportunidades que eu tive?

Na verdade, até que não me arrependo. Mas, se eu tivesse a oportunidade que a Peggy Sue teve, não teria dúvida alguma: voltaria ao passado e beijaria, sem dó, nem piedade, todos os garotos que curtia platonicamente.

Essa foi pra você, Paulinho Kiss, esteja onde você estiver...

Coincidências existem

Embora eu até quisesse falar sobre essa vergonha desse escândalo político, e a minha profunda decepção com o Governo Lula, acho melhor não ficar destilando minhas desilusões e contar alguma história mais levinha, pra animar a galera.

Hoje, na hora do almoço, fui de metrô do Jabaquara, bairro onde trabalho, até a Avenida Paulista, mais precisamente no Metrô Consolação. No meio da viagem, um alegre grupo de atores entrou no vagão onde eu estava para fazer uma espécie de happening promocional de uma certo remédio anti-gripal. Foi até engraçadinho, apesar do mau humor da maioria das pessoas que estavam lá.

Cheguei à estação Consolação e lá fui eu tentar resolver meus pepinos no banco, rotina nada glamurosa que me resta.

Demorei uma meia hora na agência, e fui pegar o metrô de volta para o Jabaquara.

Tudo corria bem, quando na estação Trianon, eis que aquele mesmo grupo teatral entra no mesmo vagão onde eu estava, de novo! Cada trem do metrô deve ter uns quinze vagões, e de novo o tal grupinho escolheu o vagão onde eu estava para fazer seu trabalho honesto.

Foi tão inusitado que até uma das meninas do grupo me reconheceu e fez uma brincadeira comigo. Foi realmente algo inusitado, essa coincidência, ainda mais numa cidade como São Paulo, onde milhões de pessoas pegam o metrô diariamente.

Sei lá, coincidências existem. Quem sabe a próxima não é acertar a Mega Sena?

Roberto Jefferson, do Povo na TV

Sim, eu votei no Lula na última eleição para presidente, como aliás tinha feito religiosamente desde 1989.

Claro que estou decepcionada com o que está rolando, embora todos saibamos que compra de votos não eram raridades, por exemplo, durante o governo das aves bicudas posudas.

Mas a droga é que o PT teve que se alinhar com o PTB. E com o Roberto Jefferson. Não podia dar em boa coisa mesmo.

Eu, que tenho ótima memória, me lembro que o ex-gordo e atual metralhadora giratória de plantão fazia parte da equipe do programa de TV mais asqueroso (e por isso mesmo, imperdível) dos últimos 25 anos de tevê brasileira, O Povo na TV, exibido no começo dos anos 80 pelo SBT. Trash mundo cão de fazer Ratinho corar de vergonha, o programa tinha em seu elenco nomes como Jefferson, Wilton Franco, Sérgio Mallandro, Wagner Montes, Christina Rocha e os sumidos Amaury Valério e Olga Renha.

Pontos "altos" da baixaria:

- a morte de uma criança ao vivo, durante a Ave Maria que Wilton Franco inovocava durante a hora do Angelus.

- as sessões de curanderismo do saudoso Roberto Lengruber, que fazia inválidos saltarem, lépidos, de suas cadeiras de rodas, todos invariavelmente usando os "medalhões" poderosos que Lengruber vendia nos intervalos a preços módicos. Além de péssimo gosto, eles se comprovaram inúteis para curar doenças.

-Wagner Montes, o Chicote do Povo, dando um exemplo de força interior ao voltar do programa depois do terrível acidente no qual ele perdeu uma das pernas. Infelizmente, Wagner resolveu gravar aquela música que começava com o verso "Colombo descobriu a América, e eu descobri você", a qual tínhamos que aturar, juntamente com seus discursos a favor da pena de morte para ladrões de galinhas. Seu bordão inesquecível era : "Vamos limpando! Vamos limpando!". Ora, era impossível limpar o que já estava sujo.

-E, lógico, Sérgio Mallandro usou, com maestria, o programa como plataforma de lançamento para seu mega-hit Vem fazer Glu-Glu. Também me lembro que Mallandro  fazia demagogia com o povo miserável que ia lá no programa procurar soluções para seus insolúveis problemas. Era hilário ver  Mallandro posar de justiceiro, discursando com  a cara séria (e o indefectível boné) e depois cantando Vem Fazer Glu-Glu.

Não me lembro muito bem do papel de Roberto Jefferson no programa. Acho que ele prestava assistência, como advogado, aos pobres-diabos que iam lá desfilar suas mazelas. Pelo menos ele não cantava. De qualquer forma, ele deve ter se saído bem, pois graças ao programa, se elegeu vereador, deputado estadual, deputado federal, membro da tropa de choque do Collor, base de apoio do governo de Fernando Henrique  - o Cardoso, e jogador oficial de merda no ventilador do governo Lula.

Que currículo.

Agora é que são elas

Sim, eu falei há alguns posts atrás que o Zilch é um blog heterossexual, mas não é por isso que eu vou deixar de dizer que sim, existem mulheres que eu admiro muito. Tem algumas não famosas, como minha mãe e amigas queridas, que sabem do meu apreço por elas.


Mas este post tratará de mulheres famosas. Seja por sua atitude, sua beleza, sua arte, estas  quatro mulheres abaixo são objeto de minha admiração:


Madonna : não admiro particularmente sua música, muito menos a acho uma boa atriz. O que eu admiro na mãe de Lourdes Maria e Rocco é sua capacidade de se manter em evidência, sua clara evolução como mulher durante os últimos 20 anos. Ela ganhou muito dinheiro, sempre esteve no controle da situação e deve ter comido quase todos os homens (e mulheres, vai saber) que quis - menos o Antonio Bandeiras, que, pelo menos pra mim, não é essa coca-cola toda. Ela se fez sozinha, e vendo-a inteiraça aos 46 anos, me faz crer que eu, dez anos mais nova, posso ter alguma ínfima esperança de que posso ficar bonitona quando tiver a idade dela, se eu me cuidar. Tá certo que a fortuna dela ajuda a pagar os melhores personal trainers e cosméticos do mundo, mas, sei lá, também não tenho uma blonde ambition.


Yoko Ono : sim, eu a odiava quando eu tinha uns 10 anos. Achava que ela tinha separado os Beatles, enfeitiçado John etc etc etc. Mas depois eu amadureci um pouco e aprendi a admirar a ousadia da Yoko. Ela pode não ser uma brilhante artista plástica, ela pode cantar muito mal e ser feia, mas  é uma mulher inteligente, e apesar de não ser um modelo de beleza soube  conquistar um homem cobiçadíssimo - e sempre procurou manter sua auto-imagem e identidade intactas, ao contrário das Lindas e Heathers que se tornaram apenas as sras. McCartneys da vez. Podem chamá-la de canastrona, feiosa, oportunista, mas Yoko tem atitude, e nunca se deixou levar por estes preconceitos idiotas.Tenho certeza de que, se ela fosse bonita, não haveria um décimo do ódio irracional que os beatlemaníacos que ainda não saíram da infância ainda sentem por ela . E quem dera chegar aos setenta anos, como ela, e ainda vir para causar. You go, Yoko!


Rita Lee :ela viveu tudo o que eu gostaria de ter vivido, caso tivesse nascido uns vinte anos antes. Rita fez música de qualidade com os Mutantes, viveu a revolução sexual dos anos 60 sem culpas, divertiu-se muito e ainda por cima, quando tudo acabou, ainda achou um marido bacana e se firmou como cantora e compositora, ganhando grana e fazendo o que gostava. E, claro, Rita continua still crazy after all these years, falando o que dá na telha, pouco se lixando para a idade que tem e ainda mantendo um espírito jovem. Vovó porreta, essa.

Angelina Jolie: sim, eu confesso.  Se eu fosse homem, Angelina seria meu símbolo sexual. Mas não só por seus inacreditáveis lábios. Gosto da atitude wild de Angelina. A mulher se tatua, brinca com fogo, casou-se e descasou-se um milhão de vezes, é ativista política e ainda ganha milhões de dólares a cada filme que faz. Beijou Denzel Washington, David Duchovny, Brad Pitt, Nicolas Cage e, tá, o sem-gracinha Antonio Banderas e ainda é paga por isso.  Essa mulher é um assombro.

Lógico, existem as mulheres que eu acho apenas lindas, mas isso é assunto para outro post, que pode ter a ver com a inveja saudável de querer ter o corpinho de uma ou o cabelo de outra, ou até mesmo o namorado de alguma delas. Mas isso fica pra outra oportunidade.

Blog e ego

Ninguém escreve um blog pra mostrar que é bonzinho. As pessoas querem é aparecer de alguma forma. Todo blogueiro quer conquistar seu espaço na web com essa pura manifestação de ego exacerbado que é um blog.

Alguns optam por dar palpites sobre assuntos nos quais consideram-se versados, outros se especializam em escrever seus textos e dar uma dimensão literária à sua obra, na esperança de ver seus alfarrábios se transformarem num best seller de sucesso. Pena que todos os outros 4,5 milhões de pessoas que mantêm um blog no mundo objetivam a mesma coisa.

É muito blog pra pouco leitor. Ou é ego demais concentrado em blogueiros.

E para uma segunda-feira este post está maravilhoso, dizendo nada. Ou zilch.

Domingos são maravilhosos...

... porque minha linda sobrinha Marina sempre vem nos visitar, e isso só pode ser bom.

Isn't she lovely?

 




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