Maristela, 1985

Há aquela esperança

De quem nunca cansa

De comer margarina rança

Graças a Deus, meus talentos enquanto poetisa concreta continuam despertando risos 20 anos depois...

 

Reminiscências Maristelianas, parte 1

Talvez seja a sexta-feira insanamente cheia de trabalho que eu tive, mas o fato é que eu terminei todas as minhas tarefas de hoje e de repente me deu uma vontade muito grande de fazer uma retrospectiva das grandes gafes da minha vida...

Claro, fazer o curso de Ciências Contábeis na PUC-SP foi uma delas, mas isto não me causa tanta vergonha, já que graças a este curso sou uma pessoa com educação de nível “superior” e por isso tenho direito a uma cela especial na cadeia, o que é inegavelmente um artigo de luxo nos superlotados presídios brasileiros.

... Mas cometi outras gafes mais comprometedoras.

A primeira delas foi quando fui à minha primeira festa junina, há muitos e muitos e muitos anos atrás. Aos cinco ou seus anos, já gordinha e fã incondicional de comida junkie, logicamente não foram as quadrilhas ou as queimas de fogos as atrações mais interessantes. Estava muito mais interessada nos comes e bebes, claro, e os apreciei como sempre sem a devida moderação, o que certamente contribuiu para que muitos anos depois eu tivesse que me submeter a uma cirurgia de redução de estômago.

Muitos churrascos, pés-de-moleque e sacos de pipoca depois, minha mãe diz que já era hora de irmos embora. Seguiu-se um diálogo provavelmente muito parecido com o que se segue:

-Mas mãe, e a quermesse?

-Ué, nós estamos em uma quermesse, minha filha!

-Nós estamos? Mas eu queria comer a quermesse!

-Como, comer uma quermesse? – minha mãe perguntou, já preocupada com a sanidade mental de sua filha.

-Ué, quermesse não é um sanduíche?

-Não! – minha mãe respondeu, já tendo a certeza de que parira uma débil mental – Quermesse é uma festa!

-Ah, é? – eu resmunguei, admirada e muito decepcionada. Eu achava , candidamente, que quermesse era um sanduíche cheio de maionese. Quermesse e maionese não rimavam, ora pois? Quero maionese. QUERo MaionESE. Quero maionese = abreviação de quermesse , poesia concreta pura! Era muito lógico. Mundo sem imaginação esse que eu vivia, cáspite!

Não preciso nem dizer que o meu repúdio por duplas caipiras e o gosto por poesia concreta de quinta categoria são conseqüências desta traumática gafe de infância. Bem, ao menos eu devo ser uma das pioneiras em viajar na maionese.

E as gafes maristelianas não param por aí... Esperem mais, ainda mais constrangedoras!

Primeiro item da minha lista de presentes pro níver

Esta coisinha fofa aqui é o Nokia 770, um computador de mão que a nossa velha conhecida produtora de telefones celulares lançará até o final do ano. A mamãe aqui aceita de bom grado um exemplar desses para o seu aniversário, viu? O preço deve ser um mero detalhe...

Ora, permitem que eu realize um velho sonho: de poder navegar na Web deitada na cama confortavelmente. Façam uma pessoa feliz.

Sonho

Vixe, tive um sonho estranho dia desses.

Eu e uma mulher que não faço absolutamente idéia de quem seja estávamos numa estação do metrô que mais parecia a Bat-Caverna. O aspecto tétrico do lugar  era reforçado pela quantidade industrial de, digamos assim, excrementos que enfeitavam o chão.

Muita merda mesmo.

Consultei alguns sites de interpretação de sonhos  e todos foram unânimes em informar que sonhar com merda significa dinheiro, com sorte nos jogos e negócios.

Eita, merda abençoada.

(Nota da Editora: alguém aí se lembra que teve uma época em que Pedro de Lara interpretava sonhos nas revistas femininas?)

Recordar é viver...

Um dos primeiros posts que escrevi, extraído do primeiro Blogando e Andando. Pra ver como certas coisas não mudam em pouco menos de quatro anos... Mas o texto é até legalzinho e mostra como eu encarava (e ainda encaro) um blog. Momento egotrip, mas fazer o quê? Meu ego é tudo o que eu ainda tenho...


21/12/2001
Primeiro dia é fogo. Enquanto é novidade, a gente fica alucinado com o brinquedo e começa a gastar os poucos neurônios que tem pra coisa funcionar. Só quero ver quando eu estiver blogando e andando pro meu próprio blog...


Enquanto isso não acontece, eis que me deparo com a seguinte questão:


PARA QUE SERVE UM BLOG?
Eu sou uma mulher do século passado, antiquada e obsoleta. Mas eu me recuso a aceitar tão triste realidade. Quero fazer um blog para me sentir “na crista da onda” e atualizar minhas gírias. Por isso que estou querendo entender para que serve um blog. Depois de muito exigir de meus já depreciados neurônios, formulei algumas hipóteses:


O BLOG DE HOJE É O “MEU QUERIDO DIÁRIO” DE ONTEM.
Pois é. Nos longínquos anos 80, quando eu ainda era uma adolescente, a Xuxa ainda posava nua na Playboy, e o André DiBiase ainda tinha cabelos, toda garota tinha um “meu querido diário”. Comprado em papelaria , vinha com os bonequinhos do “Amar É...” ou com uns bichinhos fofinhos... Acompanhado do indefectível cadeadinho, o “meu querido diário” era o grande amigo para quem vc confessava seus segredos mais íntimos... Ninguém poderia devassar tal espaço sagrado, salvo, é claro, sua melhor amiga, a quem vc permitia abrir literalmente o cadeado de seu segredos... E sua melhor amiga lia tudo e, ato contínuo, contava tudo para outra amiga, que por sua vez transmitia a mensagem para outra amiga, que... Até que vc descobria que seus indevassáveis segredos já eram assunto de domínio público. Principalmente a paixão platônica pelo gatinho da turma do fundão, que evidentemente gostava muito de você... como amigo!
Como podem ver, o blog é uma versão muito mais honesta do “meu querido diário”. Pelo menos, todos os segredos que você quer guardar já serão domínio público antes que você possa falar “pindamonhangaba”. Já que não existem intermediários, a informação não é distorcida e vai direto até o interlocutor de forma direta e objetiva. E você também é poupado de ficar olhando os bonequinhos do “Amar É...”

O BLOG DE HOJE É AQUELE “CADERNINHO DE POESIAS” DE ONTEM.
Sim, você cometia versos na adolescência. Você passava horas escrevendo poemas engajados que rimavam “liberdade” com “dignidade”. Você falava sobre amor e com certeza rimava “saudade” com “felicidade”. Mais tarde, enveredou pelos árduos caminhos da poesia concreta e, segura, tinha certeza de que seus versos eram os melhores desde os dos Irmãos Campos e do Décio Pignatari. Afinal, você conseguia colocar a palavra “otorrinolaringologista” em seus poemas... Tudo naquele caderninho, que depois vc tomava o cuidado de datilografar e transformá-lo num livrinho, cujo título deveria usar e abusar das aliterações espertas, tais como “Parafernália Poética” ou “Puríssimas Pretensões”. Vc não primava muito pela auto-crítica, e “sem querer”, mostrava seus alfarrábios a qualquer incauto que surgisse pela frente. Os “hum-hums” eram interpretados como sinal certo de aprovação e vc sonhava com o dia em que vc publicasse seu trabalho, garantisse o seu lugar no chá da Academia Brasileira de Letras e ganhasse o Prêmio Nobel de Literatura. Por isso, ficava um pouco decepcionada quando seus poemas sequer conseguiam uma menção honrosa no concurso de poesia da faculdade, nem mesmo aquele genial que vc fez apenas citando nomes de elementos químicos e que o Arnaldo Antunes plagiou em “O Pulso”, só que listando nomes de doenças.


O blog é o grito de liberdade dos poetas à margem da cultura e do talento. Você pode publicar tudo o que escreve,e ainda divulgar para milhões de pessoas. O sonho da Academia Brasileira de Letras está cada vez mais perto, e você poderá tomar chá com o Sarney e o Paulo Coelho. E aí você acorda do delírio e se lembra, não sem uma ponta de tristeza, que em um raro arroubo de bom senso você jogou fora toda a sua produção poética, que permanecerá para sempre inédita, para júbilo do Planeta Terra.

"Money is the root of all evil"

Dinheiro é a raiz de todo mal.

Eu não tenho dinheiro.

Logo, estou imune ao mal.

Mas o mal é a falta de dinheiro!

Que merda.

Mais pensamentos numa quinta-feira meio mais ou menos

De onde surgiu a expressão "morte da bezerra"? Me pergunto isso porque ultimamente vivo pensando nela.

Sim, meus caros, estou com problemas - apesar do São Paulo ter ganho de forma brilhante na Libertadores, apesar de estar bem de saúde, estar desenvolvendo um trabalho muito bacana etc.

É problema de grana, e é uma merda, porque grana nunca deveria ser problema, mas solução.

O jeito é me concentrar menos na morte da bezerra.

 

Pensamentos de uma cinzenta manhã de quinta

Credo, "alguma coisa está fora da nova ordem mundial" quando você ouve uma música do Capital Inicial  e se identifica com a letra. Dá um leve desespero.

Existe alguma chance de meus credores levarem em consideração o meu caráter amistoso e gentil pra que eles se compadeçam de mim e diminuam meus débitos, em, digamos, 99,9%?

Em compensação, estou adorando blogar novamente. Te cuidem, leitores.

Blog de novo?

Não é minha primeira tentativa no tortuoso mundo dos weblogs. Meu primeiro estágio foi no BLIG, onde definitivamente aprendi como não ter um blog de sucesso. Depois, já no Blogger, o Blogando e Andando confirmou a tradição dos blogs maristelianos em passar em brancas nuvens. Morto em janeiro de 2003, o Blogando e Andando foi ser gauche na vida.


Mas o tempo passou, muita coisa aconteceu comigo, e resolvi tentar de novo em 2004, desta vez no então très chic Mblog – que passou desta pra melhor tão rapidamente quanto chegou.

Este blog chamava-se Blog 36, porque eu estava pensando em um nome legal prum blog, e logicamente não resultava em nada melhor do que "Cantinho Cibernético da Maristela" ,ou mesmo "Blogando e Andando". Sou péssima pra títulos, como vocês podem perceber. Então, juntei duas coisas: a minha quase idade de então (36) e o nome de uma música dos Mutantes, "Dia 36", e assim eis que se fez a Estória (com "e" mesmo). Daí, o Blog 36.

Logicamente, a minha idade está mudando e a vontade de mantê-la em sigilo só faz aumentar. Pra não dar muita bandeira, esta nova cria chama-se Zilch, como já exaustivamente explicado em post anterior.

Escrever pra mim é uma terapia - e espero que vocês curtam essa pequena egotrip com senso de humor. Se gerar sorrisos, pensamentos ou mesmo escárnio, tá ótimo.  

O futuro que não chegou

Nasci há quase dez mil anos atrás, em 1968.

Outros tempos, outros valores, outros ídolos. O futuro parecia algo tão distante como 2001 - Uma Odisséia no Espaço, que aliás é o meu filme favorito de todos os tempos.

2001 veio e foi embora, e nada de vermos computadores enlouquecidos controlando astronautas em viagens intergaláticas enquanto faziam divagações filosóficas sobre a vida. Aliás, o que vimos em 2001 foram homens enlouquecidos espatifando aeronaves em prédios enquanto faziam um homem mais enlouquecido ainda "legitimar" seu poder. Affe.

Mas, voltando: o futuro que Kubrick e Arthur C. Clarke vislumbraram está mais para um futuro do pretérito. O nosso presente está se revelando muito além do que aqueles visionários poderiam imaginar. Nem em weblogs eles pensaram, vejam só. O que diriam se soubessem dos flogs, podcastings, telefones celulares que só faltam dançar a Macarena etc?

Sei lá, acho que o futuro do pretérito era mais romântico, mais idealista, mais... sixties. O futuro já começou, como dizia aquela velha canção de fim de ano da Rede Globo, mas só para quem pode comprar os gadgets necessários.

(E é claro que este lamento tem a ver com o fato de que realmente não posso comprá-los, por enquanto). 

E tudo começa agora

O que é zilch?

Segundo este link, zilch é uma expressão surgida nos Estados Unidos em meados do século passado, que significa "zero", "nada". Falar sobre o nada pode ser alguma coisa, vide o legado da série Seinfeld à cultura pop mundial e ao bolso de Jerry Seinfeld.

Weblogs geralmente não admitem que são sobre o nada, embora alguns passem exatamente essa impressão. De qualquer forma, a palavra zilch foi escolhida porque eu acho legal, e é só. E é claro, pode dar alguma pista sobre o que será dito neste espaço...

Vou falar sobre as minhas paixões:  cultura pop em geral, tecnologia e internet. Mas também vou dar meus pitacos sobre a vida, porque afinal, do alto dos meus quase 37 anos, acho que já tenho uma certa quilometragem para cometê-los. E eu juro que não tem nada de auto-ajuda nisso, porque como exemplo de vida, eu quero mais é ser zilch.




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BRASIL , Sudeste , SAO PAULO , Mulher , de 36 a 45 anos , Portuguese , English , Zilch interesses

 
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