Há 25 anos atrás...

Lembro como se fosse ontem.

Eu tinha 12 anos, já estava de férias da escola, e havia sonhado com os Beatles na madrugada. Eu estava no começo da minha descoberta das músicas dos Beatles. Havia mais ou menos um ano em que eu me considerava uma "beatlemaníaca".

Eu tomava o café da manhã, despreocupada, quando minha falecida avó Alice surgiu na porta e disse, com todas as letras:

-Mataram o  "Jão Leno"!

Eu não acreditei, mas logo liguei a TV e constatei que aquilo era a mais pura realidade. John Lennon havia sido assassinado por, diziam, um fã enlouquecido. No "Bom dia São Paulo", estavam tocando "Dr. Robert". Liguei o rádio,  e ninguém menos que Gil Gomes narrava o triste episódio que acontecera na madrugada nova-iorquina.

Lembro que a dor que senti foi imensa. Afinal, naquela época, um dos meus objetivos de vida era poder assistir uma volta dos Beatles. Isso não era mais possível.

Chorei muito. Lembro que assisti Elis Regina chorando muito no Jornal Nacional, lembro da reação esquisita de Paul McCartney, lembro da comoção generalizada e da overdose de "Imagine", "Woman" e "Happy Xmas" nas tevês e rádios.

John virou um mártir sem certamente ter querido. Ele virou um santo para alguns, um cínico para outros.

Pra mim, ele era apenas um artista. Um GRANDE artista, com todas suas contradições e defeitos inerentes a um ser humano. Talvez, por isso mesmo, sua arte tenha sobrevivido à sua canonização.

E graças aos céus que temos os discos pra ouvir.

Alguns espasmos

É oficial. Este blog está às moscas, enjeitado até mesmo por sua mãe.

Mas a perdoem, por favor. 2005 está sendo um anus-horribilis (literalmente) e agora ela está muito ocupada, jogando suas fichas em um projeto profissional que, ela espera, torne 2006 um pouco mais palatável.

De qualquer maneira, um elefantinho de porcelana com o bumbum virado para a porta do escritório já foi devidamente comprado. É preciso minimizar todos os riscos.

Eu quero ter um ano de "Ronaldinho Gaúcho", que eu mereço. E ainda por cima sou mais bonita que ele, então...

 

Disciplina...

Pra fazer um blog ser "worthy", é preciso ter disciplina.

Eu sou uma indisciplinada por natureza.

Esta contradição fará com que este Zilch tenha algum futuro?

Só o tempo dirá.

E o mundo caminha para uma direitização que está me fazendo ficar possessa.

Não quero ficar velha e ser cercada por um monte de reaças. Nightmare!

 

 

Sim, ainda estou viva...

... e um ano mais velha! Completei 37 anos na sexta, 07/10.

Estive (mais) sumida porque torci o pé direito na quinta-feira 30/09 e de quebra peguei uma gripe que me derrubou durante 10 dias. Só hoje voltei a trabalhar.

É legal voltar à ativa, mas devo dizer que gostaria de ter tido uma surpresa neste meu aniversário. Lógico, recebi lembranças dos amigos queridos, da família, que sempre comovem. Mas, sei lá, queria ter tido uma surpresa. Sinto que a vida poderia me apresentar uma surpresa, algo que eu não contasse, uma novidade boa, é claro, não os intermináveis telefonemas de credores.

Pra falar a verdade, estou meio melancólica. Não sei exatamente o motivo, embora racionalmente saiba que são os problemas de sempre que estão me deixando meio cansada.

Mas, sei lá, vai que rola uma  boa surpresa :)

Adeus para Maxwell Smart e Bronco

Dia triste hoje.

Dois ídolos de infância se foram: Don Adams, o Agente 86 Maxwell Smart e Ronald Golias, o Bronco.

Belos tempos em que assistir os programas deles eram a diversão suprema. E ainda serão por muito tempo.

Descansem em paz. Obrigada por cada gargalhada, por cada sorriso que vcs causaram em mim e em muitos mais.

I Am a Rock!
(Adaptada de um e-mail que mandei para um amigo muito querido, que, de tão revelador, resolvi publicar aqui também, com algumas modificações)
 
Apesar de não ter resolvido meus problemas, acabo de descobrir que a não resolução dos mesmos pode ser, paradoxalmente, a melhor solução, huahauhauahauahauahau.
 
Sério, estou bem melhor do que estava há alguns meses atrás. Estou sendo procurada até pra ler mapa astral de novo, vejam só. Modéstia a parte, o povo gosta das minhas interpretações. Pena que aquele velho ditado, "casa de ferreiro, espeto de pau", se aplica como uma luva neste caso, huahauahauahauahuahauahau, já que sou incapaz de delinear minha própria personalidade. Mas adoro ler mapa astral, sabiam? É um prazer mesmo!
 
Mas o lance mesmo é o seguinte:  Fazia anos que eu não ouvia minha coletânea de Simon & Garfunkel. Segunda-feira resolvi levar o disquinho pra trabalhar, e fiz uma descoberta estarrecedora: Paul Simon psicografou minha alma, antes mesmo de eu nascer! "I Am a Rock" sou eu!
 
Sério, nunca tinha prestado muita atenção à letra deste clássico, aliás, eu até pulava a música quase sempre, mas de repente, não mais que de repente, eis que ouço a letrinha e VEJO a minha vida nela! Estou espantada.
 
Essa música é uma obra-prima! É uma declaração de independência, de negação à fragilidade, de ode aos livros e à poesia... mas tudo se revela na última estrofe..."And a rock feels no pain... and a island never cries...", e a melancolia contraditória de Paul Simon ao cantá-la diz TUDO.
 
Ah, esses librianos, John Lennon e Paul Simon, realmente sabem como definir essa outra libriana que eu sou :)
De volta, mas...

... eita ano esquisito, esse tal de 2005.

O ano em que certas convicções que eu tinha se desmoronaram.

O ano em que eu vi que deixar de pagar contas até que não é o final do mundo - e que os juros bancários cobrados aqui são IMORAIS.

O ano em que relevei um monte de coisas que eu valorizava, só para descobrir que as sobrevalorizei até não poder mais.

O ano em que pelo menos uma certeza eu tenho: sou mais forte do que eu pensava!

 

 

Segunda à tarde...

... Chuvinha gostosa caindo em São Paulo, a preguiça e a vontade de escapar da realidade repleta de contas vencidas me fazendo viajar legal na maionese...

Tava aqui pensando com meus botões... como seria legal se eu participasse de uma sitcom, junto com David Duchovny, Oliver Heath, Hubert, Leonardo ex-jogador da Seleção Brasileira de Futebol e o Evan Farmer (apresentador do "Enquanto Você Não Vem", do People and Arts)... Eu seria uma espécie de amigona dos rapazes, sempre os ajudando a conquistar as moças, controlando-os com minha sabedoria e senso de humor sardônico. Eu até bancaria a Cupido deles, mas os gatões sempre acabariam se decepcionando com suas eleitas e voltando para meu campo de influência...

A sitcom se chamaria "Everything about her", e eu ganharia todos os Emmys e um salário maior do que o do Jerry Seinfeld... Ah, e namoraria o mais sem gracinha dos lindos, provavelmente o Evan, na vida real...

Ai, ai... Por quê eu não ganhei na Megasena? Aí eu poderia viajar na maionese impunemente. Sigh.

Ain't that a shame?

Que coisa horrível essa que aconteceu em New Orleans. O tal Katrina destruiu tudo, e ainda por cima parece ter levado consigo a vida de um dos pioneiros do rock and roll, Fats Domino. Bush Jr mais uma vez faz um papelão classe internacional e consegue desagradar a gregos e troianos. Pessoas estão morrendo, ou então sujeitas a doenças, fome, violência e à incompetência das autoridades. E incrível como os "excluídos" de lá tem o perfil bem parecido com os daqui: negros, pobres e abandonados.

Embora eu goste de muita coisa da cultura norte-americana, a única cidade dos EUA que eu acho que eu gostaria de conhecer de verdade é New Orleans, por causa da música, do clima, da história, do Mardi Gras. Será que ainda terei chance?

EDIT: FATS FOI ENCONTRADO!!!! AO MENOS UMA BOA NOTÍCIA NESSA TRAGÉDIA TODA...

 

 

Vejam as propostas do nosso provável futuro presidente da república para a educação...

Não, o que vcs irão ler não é mentira, nem uma piada sem graça. Vejam como o favorito nas pesquisas para presidente encara a confecção de uniformes para as crianças da rede pública. Seria cômico se não fosse trágico. Tá na Folha de hj:

Psicólogos e pedagogos temem prejuízo na formação de estudantes que receberem as roupas na rede municipal de ensino

Especialistas criticam uso de propaganda em uniforme escolar

RENATA BAPTISTA
DA REPORTAGEM LOCAL

A proposta de permitir o uso de propagandas em uniformes escolares da rede municipal de São Paulo é criticada por pedagogos e psicólogos ouvidos pela Folha. De um modo geral, eles dizem que a economia de cerca de R$ 70 milhões que a gestão José Serra (PSDB) pode obter com a doação de uniformes por parte dos patrocinadores não compensará eventuais prejuízos psicológicos que as crianças poderão sofrer.
As roupas vêm sendo desenvolvidas por três estudantes de moda da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas). Segundo a coordenadora do curso, Romy Tutia, "as camisas serão brancas, amarelas ou azuis. A calça será índigo claro ou escuro, e o tênis será da mesma cor". Azul e amarelo são as cores do PSDB, partido de Serra.
Apenas um dos seis especialistas ouvidos pela Folha mostrou-se favorável ao projeto. A maioria acredita que a implantação da medida transformará o estudante em um "outdoor ambulante".
A voz que destoa é a da professora do departamento de Psicologia Social da PUC-SP Brônia Liebesny. Para ela, a publicidade não trará efeitos para a formação da criança, e o dinheiro economizado poderá ser revertido para outras políticas de educação.
Os demais condenaram a proposta. A diretora da Faculdade de Educação da USP, Selma Garrido Pimenta, acredita que o prejuízo será a longo prazo, na formação da criança como cidadã. "Um jogador de futebol recebe milhões para ostentar publicidade. Quanto essas crianças vão receber?"
A coordenadora da ABDEPP Freinet (Associação Brasileira para Divulgação, Estudos e Pesquisa da Pedagogia Freinet), Rosa Maria Whitaker Sampaio, aposta em uma fórmula que estimule mais lucros para o governo e as empresas. "Acho que as crianças terão mais dignidade se forem para a escola descalças e sem agasalhos do que ostentando propaganda."
Sampaio tem a mesma opinião da diretora do curso de Pedagogia da PUC-SP, Madalena Guasco Peixoto, ao defender o uso de dinheiro público na compra de uniformes. "Eles [o governo] não devem envolver a iniciativa privada e transformar crianças num "outdoor ambulante'", diz Peixoto.
O professor-assistente do departamento de Psicologia Clínica da Unesp de Assis, Fernando Silva Teixeira, qualifica como exploração o fato de as crianças serem utilizadas para anúncios sem autorização. "Em se tratando de política educacional, trata-se da privatização da escola pública."
Para a presidente da Associação de Pais e Alunos do Estado e secretária municipal de Educação na gestão Pitta, Hebe Tolosa, as propagandas devem ser de empresas que façam parte da realidade das crianças para não causar constrangimentos.

Pequenos logos
O secretário municipal de Educação, José Aristodemo Pinotti, rebateu as críticas. "Devem estar pensando que serão colocados anúncios como nos colocados em jogadores de futebol. Não é nada disso. O que foi proposto pela Abravest [Associação Brasileira de Vestuário] são uniformes com pequenos logos", afirmou.
A prefeitura pediu ainda um "eventual poder de veto" sobre algum tipo de propaganda que fosse julgada inadequada.
Os protótipos dos uniformes escolares já estão com a Abravest, que em breve deve encaminhá-los para aprovação da prefeitura. Depois disso, o próximo passo será buscar patrocínios para bancar a doação do kit escolar, que contará com nove peças: uma calça, duas camisetas, um pulôver, duas cuecas ou calcinhas, dois pares de meia e um par de tênis.
O presidente da Abravest, Roberto Chadad, declarou que ainda não sabe o custo de cada kit, pois a prefeitura ainda não fez a escolha dos modelos.
A Abravest fechou em julho deste ano acordo com a Secretaria das Subprefeituras e está na fase de captação de patrocinadores para 111.900 peças que serão distribuídas para 7.000 funcionários das 31 subprefeituras.

 

O destino realmente não ajuda às vezes...

Acabo de saber que meu ídolo da decoração, o garboso, maravilhoso, talentoso e gostoso Oliver Heath  esteve no Brasil recentemente! E andou por Rio de Janeiro, Recife, Fernando de Noronha! E eu nem para encontrá-lo e poder pedi-lo em casamento! Oh, mundo cruel. Não é sempre que sua alma gêmea britânica chega tão perto de você. Droga.

Há alguma controvérsia sobre a sexualidade de Ollie, porque ele é super discreto, e apesar de lindo e dos 35 anos de idade, ainda é solteiro. E ainda é inglês e decorador. Oras, quem se importa? Tudo é possível nesta vida! Até ele ser heterossexual!

 

Em tempos de esgoto generalizado...

... nada como assistir lixo televisivo para ter certeza que a latrina não é o limite.

Para quem (ainda) tem TV a cabo e estômago suficiente, uma dica preciosa: sintonizem no Warner Channel, aos domingos, às 22h, para terem a "honra" de assisitirem a "The Swan", um reality show de horror.

O programa promove a cada episódio uma recauchutagem completa em duas típicas losers do sonho americano. Com cirurgias plásticas que dariam inveja a Michael Jackson, "apoio" psicológico, dietas anoréxicas e malhação, as duas candidatas concorrem a uma vaga em um concurso de beleza, que dará "milhares de dólares" em prêmios à vencedora.

Os resultados são apavorantes. Os médicos injetam gordura extraída de bundas, coxas e barrigas nas bochechas, implantam próteses de queixo, inflam seios,  puxam olhos, quebram narizes, tudo isso para culminar na "grande" revelação: após três meses de dores intensas, regimes africanos e malhação, finalmente as donzelas conseguem ver sua nova persona no espelho, devidamente vestidas com modelitos que fariam inveja a qualquer Pamela Anderson.

Gente, eu até sou a favor do uso da cirurgia plástica para ajudar a reconstruir mamas e vidas caídas, mas reduzir o sentido do lance todo a isto, é o fim da picada. O programa prega que somente se transformando num simulacro de Barbie é possível ser feliz. Sem falar na extrema breguice de cenários, apresentadoras e equipe multidisciplinar. Um must see!

Porque estou tão triste com tudo isso...

Embora nunca tenha me filiado ao PT, venho votando sistematicamente no partido desde 1988. Sempre tive simpatia pelos ideais do partido, admirava quadros petistas como Eduardo Suplicy, Aloízio Mercadante, José Eduardo Cardozo e outros.

 

Essa simpatia também tinha raízes, digamos, familiares. Sou filha de um operário, com uma história de vida mais ou menos parecida com a do Lula, daí veio um sentimento de identificação e simpatia para com o ex-líder sindical. Além disso, um tio muito querido, falecido prematuramente em 1998, foi praticamente um dos primeiros militantes do PT, e não havia como não discutir com ele os rumos da política nacional sob a ótica petista. Ele nunca tentou fazer minha cabeça; ao contrário, me estimulava a conhecer outros pontos de vista e a partir daí construir minha própria visão ideológica.

 

Depois de tantas derrotas, finalmente em 2002 parecia que os sonhos virariam realidade. Pensei muito na alegria que meu tio estaria sentindo naquele momento, se pudesse ter presenciado esse fato. Claro que fiquei preocupada com as alianças que o PT fez para garantir a vitória do Lula na eleição. Afinal, seria complicado depositar meu voto em uma chapa que também era composta por partidos fisiológicos como PP, PL, PTB e congêneres. Mas eu pensei, qualquer coisa é melhor do que a dupla aziaga PSDB-PFL.

  

Claro que não fiquei surpresa com o comportamento da imprensa brasileira, sempre a serviço da parcela mais desprezível da elite, apostando sempre numa visão preconceituosa da figura do Lula e comparando-o com o “príncipe encantado do Paraguai” FHC.

 

Mas aí veio o depoimento de Roberto Jefferson e tudo mudou, culminando na revelação de Duda Mendonça, que nocauteou todos os meus sonhos. Estou triste, passada, me sentindo traída e profundamente preocupada com a hipótese de ter que agüentar partidos como o PFL e PSDB posando como paladinos da moral e dos bons costumes, sendo que devem estar tão submersos na merda quanto o PT. A diferença é que são profissionais na arte de corromper.

 

Estou triste pelos bons quadros do PT, pelos militantes e pelos simpatizantes do partido, como eu, que jamais esperariam ver sua confiança e esperança serem traídas dessa maneira. E de certa forma, fico aliviada por meu querido tio não estar vendo no que o PT se transformou.

 

É isso aí, pessoal. Desculpem o desabafo.

O pesadelo continua...

Serra derrotaria Lula no 2º turno por 48% a 39%, aponta Datafolha

Que nojo. Como o PT pôde jogar no lixo a possibilidade de fazer um governo que perduraria? E ainda perder para o Bento Carneiro sem graça picolé de chuchu?

Que horror.

O sonho acabou...

PFL já consulta advogados para
o caso de impeachment de Lula

... Estou triste demais com o que aconteceu hoje em Brasília.

Foi como se todos os ideais políticos que ainda me restavam acabassem.

Um dia ainda conto pq eu me identifico (ou me identificava, sei lá) com o PT.

Hoje, só quero curtir minha tristeza e rezar para que este turbilhão tb leve de roldão os outros que hj posam de guardiões da moral, sem ter nenhuma tb.

PFL e PSDB, os heróis? Parem o mundo que eu quero descer!

 




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